quarta-feira, junho 22, 2011

Livro de Cabeceira XIV

Mais uma excelente história da minha conhecida Elizabeth Kostova, cuja assinatura está num dos meus livros de eleição - O Historiador. Desta vez as páginas debruçam-se sobre Andrew Marlow, psiquiatra de um hospital americano, cuja vida pacata e regrada é violentada pela aparição de um paciente, Robert Oliver, pintor e professor famoso, que num acesso de loucura tenta vandalizar um quadro na Galeria Nacional, decretando o seu internamento compulsivo.
O homem que se recusa falar durante meses esconde uma história de amor por uma mulher do séc XIX, também pintora, com uma carreira terminada precocemente, cuja figura pinta repetidamente de forma demente.
Marlow segue então as poucas pistas que vai encontrando no passado do paciente, levando-o a locais tão diferentes como o México ou a zona rural de Paris, num enredo que delicia quem o lê... Os Ladrões de Cisnes é um romance onde os mortos atormentam os vivos e os apaixonam... Recomendo.

domingo, junho 19, 2011

Deixa-me...

Deixa-me num canto escuro, escondido, esquecido...

Deixa-me definhar em silêncio profundo...

Dá-me paz...

segunda-feira, maio 30, 2011

Ficas comigo avô...

Augusto Valente Júnior

25/09/1928 - 29/05/2011

quinta-feira, maio 26, 2011

Memorável...


Confirma-se o que há muito já se suspeitava...The National são uma daquelas bandas de culto que têm em Portugal um dos seus locais de adoração.
Com bases amplas no recente High Violet e no antecessor Boxer, o concerto do passado dia 24 no Campo Pequeno não esqueceu momentos únicos dos primeiros álbuns, tal como "Friend of mine" do álbum Alligator, que teve direito a aviso especial por só ter sido tocado por duas vezes ao vivo anteriormente apesar dos já sete anos de existência da musica "O que quer que façam, não saiam depois desta canção. Esta é para vocês Portugal. Cuidado com o que desejam...".
De copo na mão Matt Berringer, brinda o recinto esgotado com uma série de verdadeiros hinos, alguns modificados pela voz mais estridente que o usual do vocalista de voz forte e quente.
Após 1 hora e 45 minutos de concerto terminam a noite com uma versão totalmente sem amplificação (voz incluída) de Vanderlyle Crybaby Geeks, pedindo ao público "Ajudem-nos a cantar, sabemos que são bons a cantar, portanto cantem muito!" ...e nós cantamos...arrepiou!

A primeira parte esteve a cargo dos Dark Dark Dark, que a mim não convenceram, talvez culpa da dimensão da sala de espectáculos, que na minha opinião não era coincidente com o ambiente mais intimista das canções desta banda mais própria para um cabaret decadente e cheio de fumo.
O som do acordeão e clarinete assentava melhor numa pequena sala...

terça-feira, maio 10, 2011

Sorrow

"Sorrow found me when I was young
Sorrow waited, sorrow won..."

quinta-feira, abril 28, 2011

Mantos de Bruma...

Um amanhecer à porta de casa...

domingo, abril 17, 2011

Bairro Estrela D'Ouro

Fachada de edifício

Azulejo Comemorativo do Bairro

Pormenor do ferro forjado no varandim

Escadaria em ferro forjado

Átrio do antigo Cine-Royal

Quem não sabe, também não descobre por acaso. É um dos (pequenos) segredos desta Lisboa, capital cada vez mais cosmopolita e descaracterizada.
O Bairro Estrela D' Ouro é um pequenino enclave de vida Portuguesa na cidade grande. Um cheiro da Lisboa dos vizinhos, da aldeia transformada cidade.
Criado em 1908 para alojar os trabalhadores da sua empresa de Confeitaria por Agapito Serra Fernandes, é composto por cerca de 120 pequenas habitações, com pátios em U, onde o símbolo da Estrela está presente em vários componentes da edificação, tal como passeios, varandins, fachadas. O ferro forjado domina o exterior das habitações, todas com acesso directo para a rua, com passadiço comum ao longo da fachada, para serviço dos residentes.
Na minha recente visita pude comprovar que ainda se mantém o espírito de vizinhança próxima, entre quem lá vive, novos e velhos residentes, portugueses e emigrantes.
O próprio industrial, que também vivia no Bairro, numa vivenda de grandes dimensões com jardim (impossível de visitar) , mantendo assim uma proximidade com os seus funcionários, mandou erguer em 1929, uma sala de espectáculos, o Cine-Royal ( hoje um supermercado Pingo Doce, mas que mantém a fachada e o átrio intactos) onde foi exibido o primeiro filme sonoro em Portugal (1930).
Se quiserem procurar, fica entre a Rua da Graça e a Rua Senhora do Monte e basta seguir as estrelas na calçada...

Para uma pausa recomendo-vos uma limonada no Café do Monte - Rua S. Gens, 1. Ao estilo parisiense, bastante acolhedor e com uma musica bastante agradável.

quinta-feira, abril 07, 2011

O mundo parava...

Revê os passos dados no jardim,
os sorrisos, as tensões,
A magia fugaz de quem nada perde,
Naqueles momentos só tu contavas, só tu eras, apenas tu
...o mundo parava.
As mesas de pedra fria que fossem leito de prazer,
Os sons da cidade apagados pelo desejo...
Os calafrios da pele quente e aromática, arrepiada e húmida,
Lábios que se saciam,
Corpos em colapso numa explosão sagrada de seres profanos,
divindades um do outro...

...o mundo parava.

segunda-feira, março 21, 2011




Ouve o silêncio,
...diz-te alguma coisa?
Entre fumos e copos, abstrais-te do mundo, do burburinho fútil, das conversas banais, dos sopros de palavras vãs que nem pensadas foram, da tagarelice alheia de quem nada mais tem para falar...
Sentes-te só, no meio de tantos, apenas tu...
Chamam-te a atenção para o café que pediste entretanto já arrefecido, nem ligas...agradeces vagamente e segues a cavalgada mental interior que te mantém fora dali.

Quem és? O que queres? Desejos?
Apenas calma e tranquilidade. Conseguirás tu lá chegar?
Conseguirás viver calmo, tranquilo e seguir as vagas repetitivas da vida?
Segues só, pelas vielas escurecidas da cidade, sem ligar aos personagens que abrem alas perante a tua passagem.
Perigo? Talvez... mas nem dás por isso.
Embrenhado em ti, sôfrego de respostas que cegamente não vês, caminhas a passos distraídos para lugar nenhum...para o vazio, para o silêncio...

sábado, março 12, 2011

Sê o Mundo...

Vem ser o meu Altar,

o meu local secreto de adoração dos Deuses desconhecidos,

dos Deuses sombrios e implacáveis.

Dá-me o teu corpo e venera a Deusa Mãe,

Liberta-te do mundo...

Sê o Mundo...

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Notável "Vila" de Estremoz

Na recente visita ao Alentejo, uma das "surpresas" foi Estremoz, Cidade Alentejana desde 1926, mantém o espírito de pequena vila de tons de branco e pedra, tão característica daquela zona.
Localidade histórica, possui excelentes pormenores que, para quem aprecia fotografia, são verdadeiras pérolas da arquitectura civil e militar Portuguesa.
Exemplos disso são:
- A cadeia medieval, actualmente um restaurante - Cadeia Quinhentista, com um bom gosto de se louvar em termos decorativos, cujo pormenor aqui fica abaixo retratado (retrato 1);
- Uma ruína de arco numa das ruas antigas de Estremoz que mereceu a atenção da minha objectiva (retrato 2);
- Pormenor de portada na Rua Rainha Santa Isabel (antiga rua da Cadeia) com símbolos, no mínimo curiosos...(retrato 3)
- O único retrato que não é meu é o 4, a fachada do Café Águias de Ouro, de inícios do século XX, no Rossio de Estremoz, com um estilo arquitectónico diverso, que vai da Arte Nova ao Neo-Manuelino, onde no seu interior se destaca um brasão dourado da agora Cidade de Estremoz (retrato 5), cuja heráldica é bastante pormenorizada e rica (os curiosos que procurem o significado).

Muito mais haverá para retratar e prometo num regresso, procurar com mais tempo...

(retrato 1)

(retrato 2)

(retrato 3)

(retrato 4)

(retrato 5)

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Credos...

Há cerca de 3 anos passei mais uma vez por uma das aldeias mais emblemáticas do Portugal profundo - Piodão, uma aldeia postal, de xisto construída e felizmente bem conservada.
Ruas estreitas e escuras, o negro da pedra em contraste com o azul das janelas e portas, bem como do edifício mais destacado do núcleo, a Igreja de branco debruado a azul.
Duas das fotos que tirei na altura, foram a pormenores em casas particulares que me intrigaram, umas cruzes feitas de forma muito artesanal na ombreira da porta e noutra casa uma cruz pintada na porta, encimada por uns chifres de bode e uma ferradura...
Passado estes tempos, estava eu a colocar alguma (pouca) ordem no arquivo fotográfico pessoal e dou com elas novamente.Um pouco de pesquisa informa-me que as pequenas cruzes são uma protecção contra a trovoada e o azar. Noutros locais encontrei ainda alusões a tradições que referem a existência de lobisomens na aldeia, sendo as casas marcadas com a cruz salva
s da intromissão do mal...
Quanto à foto com os chifres de bode e a ferradura, posso apenas subjectivar que a casa pertença a alguém extremamente crente ao ponto de para além dos artefactos acima descritos, ainda ter pintado de forma grosseira uma cruz na porta azul da sua habitação...estranho?


Rua estreita com caminho para as águas - Piodão


Símbolos à entrada de casa - Piodão




Pequenas cruzes em ombreira de porta - Piodão

quarta-feira, janeiro 12, 2011



Alma mater, fiel segredo de quem sente o teu pulsar nas veias,
Guardo em mim as dores de quem te ama e por ti sofre.
Glórias vãs e sonhos adiados, gente simples que por ti morreu
Guerras de honra, outras de vergonha, por ti sangrou
Por ti engoliu o orgulho e secou as lágrimas,
como fontes que se esgotam na dor infindável
De tanto abandono consentido.

Por ti estarei, por respeito a tudo o que foste
Aguardo pacientemente que sejas novamente um dia.
Terra estranha, lendária, de mistérios milenares...
Terra sagrada, esquecida por tantos, renegada por outros
Mas sempre, sempre o meu Portu(graal)...


domingo, janeiro 09, 2011

...


Escondo-me de mim.
Embrenhado em floresta complexa
de sonhos tenebrosos,
Perco-me de mim e
arrasto-me para a profundidade vazia,
para o âmago esventrado do caos.
Para o vício delirante das voltas do mundo
O espectáculo agonizante e farto
Farto... farto... simplesmente farto...


Cansado, estropiado da estagnação,
repousa a cabeça perdida
nas mãos do desconhecido,
propriedade de ninguém,
Baldio de sentimentos,
Sofredor do acaso
Amante do nada...


Somente nada...vazio...eco...



MORTE


quarta-feira, dezembro 29, 2010



Repousa o corpo estafado de tanta dor,

descansa a alma farta de atrocidades,

deixa-me encostar no teu peito e sentir

as lágrimas abradarem a correria pelo meu rosto,

morrerem cansadas de tantos sulcos rasgar

nesta pele salgada e sofrida...

Quero uma luz.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Silêncio


Dá-me força para lutar contra o sentimento instalado que me corrói,

Dá-me ânimo e coragem para ser melhor, ser mais elevado que a podridão circundante.

Dá-me alegria, forma de ver o mundo colorido e não a penumbra em que me encontro,

Dá-me energia para ser novo - mais eu, menos plástico.

Dá-me tranquilidade, silêncio apaziguador...

Dá-me... faz-me querer respirar, faz-me querer viver...

domingo, dezembro 05, 2010

segunda-feira, novembro 22, 2010

Longas Facas do Verbo

As noites em vão, pensamentos violentadores da mente,
Dores invisíveis, feridas profundas que não se veêm,
Sente-se a aflição lancinante do controlo das coisas
Que foge entre dedos, entre palavras (mal) ditas,
Desnecessárias e abusivas, verdadeiras facas do verbo
Que rasgam sem piedade as parcas defesas que resistem.
Pontas aguçadas perfurantes da frágil couraça que levanta
Quem pouca força tem já para se resguardar...
Porquê? Para quê?...

sábado, outubro 30, 2010

Caretos de Podence

"Os caretos representam imagens diabólicas e misteriosas que todos os anos desde épocas que se perdem no tempo, saem à rua nas festividades (...) interrompendo os longos silêncios de cada Inverno, como que saindo secretos e imprevisiveis dos recantos de Podence, surgem silvando os Caretos e seus frenéticos chocalhos bem cruzados nas franjas coloridas de grossas mantas."
Celebram a despedida do Inverno e a chegada da Primavera no ritual pagão do carnaval, vem de tempos imemoriais, das festas Saturnais Romanas, acalmando a ira dos Deuses para favorecer as colheitas. A dupla máscara relembra Jano, Deus do passado, futuro e presente, deus das entradas e portões, da guerra e da paz, dono de todos os principios...
Homens, jovens e não só resguardam-se no anonimato da máscara e soltam o inferno, ainda que suave, na aldeia transmontana de Podence. Tudo é permitido durante dois dias no ano.
A tradição vive e floresce, fruto da força e teimosia de muitos...
Após meses de espera, consegui este exemplar de máscara dos Caretos de Podence. Sempre tive um fascinio por máscaras tradicionais e é um objectivo de vida recolher sempre que possível máscaras que façam parte da nossa etnografia, das nossas origens como povo.
A próxima, assim me permita o orçamento familiar, será a dos Caretos de Lazarim...
Um obrigado especial a quem ma ofereceu, mesmo com atraso de meses :)

quinta-feira, outubro 14, 2010

Regenera-me...



O mato verdejante das últimas chuvas

Contrasta com o negrume dos céus outonais

Gosto de constrastes, aprecio os caprichos naturais

Identifico-me com eles, com os jogos sedutores

Da beleza simples e de certa forma complexa que me rodeia

Sinto o ar fresco da noite que se inicia

O frio que regenera e obriga a viver.



Ao longe a voz grossa das correntes marítimas

O sopro do vento na areia das dunas desertas

Sinto-me vivo...

Sinto-me...