sábado, setembro 29, 2007

Regresso dos dias...

É oficial! Os resquícios do pseudo Verão deste ano estão a abandonar-nos... Regressam os dias escuros, chuvosos e frios que tantas saudades me deixam ano após ano.
Sim, é verdade, gosto do Outono e do inverno e então?
Posso ser uma "ovelha tresmalhada" desse grande rebanho de adoradores do sol e da praia?
Não me entendam mal, o Verão também sabe bem, mas para mim nada se compara à autentica orgia de cores e cheiros do Outono e do Inverno.
O que seriam dos serões à lareira de casa a beber vinho quente com canela se não houvesse frio?
O prazer de fumar cachimbo, beber um cognac e ver a chuva lá fora a cair naquele som compassado que nos adormece as preocupações por completo...
Se houver possibilidade, este Inverno gostaria de voltar a passar uns dias no rigor que mora por deTrás dos Montes para sentir o respirar da Terra gélido e no entanto ressuscitador de dormências (Esta foto foi tirada por aqueles lados há 2 anos).
Não me ralo de ter a roupa a cheirar a fumo porque a lareira fica acesa dia após dia na casa da aldeia, o que me interessa é o sentimento de regresso às origens que sinto numa terra que aparentemente me é estranha, é o ser bem acolhido por gente que nunca me viu na vida, abre a porta e enche a mesa de tudo quanto tem e não tem só pelo prazer de receber e partilhar...

domingo, setembro 16, 2007

Coisas Simples


Apesar de reconhecer que muitas vezes tenho um cérebro mais complicado que desejaria, existem na minha vida coisas simples que se traduzem inexplicavelmente e de forma praticamente imediata numa sensação de prazer.
Talvez pela simplicidade das mesmas, talvez por me fazerem regressar a algo ou a um momento onde fui feliz no passado. Talvez por isso tudo...ou talvez por nada, não sei...
O prazer indescritivel que me dá cheirar a rua num dia de chuva e sentir os cheiros da terra e da erva molhadas misturarem-se;
Olhar para as cores da natureza à minha volta no Outono e o cheiro característico das castanhas e do musgo na floresta;
Passear sozinho numa praia deserta num dia de inverno, antes de uma tempestade e ouvir o mar em fúria;
Estar em casa e ler um livro em silêncio;
Voltar, vezes sem conta a Mafra, ao Jardim do Cerco e sentir uma paz interior tão grande que assusta...
Coisas simples que nos fazem sentir simples.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Reflexo

O reflexo no espelho não és tu, és outro,
alguém (ou algo) que por vezes transforma o banal em excêntrico,
O usado em novidade, a calma em tempestade…
O importante é olhar e ver a realidade e não o que nos apetecia ver, sentir, saborear

O espelho és tu, o espelho sou eu…

sexta-feira, agosto 31, 2007

Na sombra fria

Na sombra fria dos penhascos
O vulto pardo da dor encontra abrigo
Fugidia e dissimulada descobre quem a acolha
Mesmo sem o saber, mesmo sem o desejar,
Estranhando-a…
Tarde demais depois,
no fundo do corpo já dependente
do sabor inebriante.
Depois de entranhada viverá,
Vampira de angústias e de prazeres…

terça-feira, agosto 21, 2007

Portador de Luz

Existem diversas teorias sobre a origem da denominação do povo ancestral tomado naturalmente como origem dos Portugueses.
Uns apontam para o nome de uma das tribos celtas que habitava no território, os Lusones, referida por Estrabão. Outros indicam uma teoria bem mais interessante cuja explanação aqui deixo.
Lusitanos seria um nome derivado do facto de ocuparem terras de Lu, o Deus Endovélicus, adoradores de vários Deuses entre os quais Lux ou Luci, o Deus da Luz.
Segundo a tradição teosófica o primeiro Arcanjo a subir das profundezas do caos foi Lux ou Lúcifer. Antes de John Milton, no seu livro Paraíso Perdido, nunca Lúcifer tinha sido apenas conotado com o mal, sendo em vez disso o portador da Luz, conforme o nome indica Luciferus – aquele que ilumina.
É conhecida a força distorcedora da igreja católica ao enfrentar as velhas crenças “pagãs” e como as adulteraram em seu proveito…
Não será de estranhar a colocação de Lúcifer entre as forças causadoras do mal do mundo…É fácil demonizar quem não entendemos ou não queremos entender...

terça-feira, agosto 14, 2007

Voo livre

Foto tirada na Foz do Lizandro...

quarta-feira, agosto 08, 2007

NO CHANCE OF LIES...


"What the SOUL hides, BLOOD tells..."

segunda-feira, agosto 06, 2007

Não durmas...

Não me abandones pelo sono…não já…demora mais um pouco esse combate com os deuses que te esperam no outro mundo, o que não controlas, dos sonhos e pesadelos.
Ainda ouço o vento a chamar por mim lá fora, no gelo que queima, na noite escura.
Esse vento que faz a chama da vela que nos ilumina dançar como se uma possessão lhe tivesse tomado conta do espírito.
Olho para as sombras que a acompanham na dança frenética pelas paredes e tremo de horror, parecem fantasmas de tempos passados a exigir a minha presença, o meu amor.
Não durmas ainda…conta novamente as velhas histórias de onde vieste, dos altos montes onde os veados ainda correm, onde o javali ainda é senhor, faz-me sentir o olhar altivo das águias que planam ao longe.
Conta-me do ribeiro que passava perto da tua casa e onde as gentes lavavam os seus pecados sem intermediários e sem dor…
Faz-me sentir os cheiros e sabores que rodeavam a tua infância, as ervas aromáticas que queimavas em respeito à Deusa Mãe, com reverência e encanto de quem vive e sente diferente.
O Sol, esse, ainda dorme o primeiro sono e vai demorar a acordar, não durmas, conta-me uma nova história, das que confortam e fazem-me sentir perto.

Não me deixes…eu não te deixarei…

quinta-feira, agosto 02, 2007

terça-feira, julho 31, 2007

COMO SE PARTE UMA ÁGUA

O título é de uma reportagem da TSF que ouvi ao vir para casa.
Tratava de uma tradição viva ainda em muitas Aldeias e Vilas de Portugal, sobretudo no Norte e Nordeste, a Divisão das Águas das fontes comunitárias, essencial para as regas no período do Verão de modo a evitar conflitos e mortes anteriormente ocorridas por causa do “sangue da terra”.
Existem nesses locais ordens ancestrais, que se transmitem de forma oral de pai para filho, durante centenas de anos, que ensinam a dividir as horas das regas pelos proprietários das terras cultivadas.
Se há aldeias onde essa divisão se faz contabilizando apenas as horas diurnas, noutras até a noite cerrada serve para regar o sustento da família, assistindo-se à passagem de vultos a caminho das hortas madrugada dentro…
Outras Aldeias há onde apesar de existirem autoridades oficiais (Junta de Freguesia) a repartição é feita por elementos escolhidos entre os bons homens da terra, os chamados Louvados, sobre a palavra dos quais não há alteração a fazer. São eles que juntam o povo e para além de promoverem a limpeza das condutas de rega, fazem a chamada Louvação, a divisão em partes proporcionais entre tamanho da propriedade e horas de rega.
Curioso é ainda a atribuição de nomes às águas, consoante saem às 10h00 ou ao meio dia, a água do Júlio, a da Pedra, cujas origens se perdem nas memórias de quem já partiu também.
Assim se fortalecem os laços comunitários, tão importantes em localidades pequenas e esquecidas pelo resto do mundo, onde a lei ainda é feita por quem lá sofre e (sobre) vive…
As vozes captadas nestas reportagens e os sons da terra e do seu trabalho quase me fazem sobrevoar o mundo banal para sentir os cheiros e ver as cores do lado de lá…Parabéns TSF

Novidades da Lingua Portuguesa

Tenho uma pessoa na minha vida (deseja o anonimato) que de vez em quando inventa uma nova palavra. É um dom que tem...
Resolvi por isso sempre que saia mais uma pérola linguistica, dá-la a conhecer ao mundo por aqui.
Aqui fica, com o respectivo significado.
SARAPATEIRO – Insecto que vagueia aparentemente sem nexo ou sentido.

sábado, julho 28, 2007

Clube cão

Os cães da casa!
(logicamente o protagonismo tinha de ser do boss dog...)

quarta-feira, julho 25, 2007

Senhora das Sombras


Universo Primordial em Perpétua Mutação
Mãe da Terra, indiferente a heterónimos usados
Erótica Senhora das Sombras, para sempre venerada
Abre teu manto de heras e bruma
Acolhe teus filhos na dormência
Atónita dos tempos passados...

sexta-feira, julho 20, 2007

Esgar de Dor

(Parque da Pena - Sintra)

quarta-feira, julho 18, 2007

Resiste...

Por mais que o tentem afundar
Ele sobrevive, mesmo submerso
No lado mais frio da memória ingrata
dos que lhe devem muito mais que a vida...

terça-feira, julho 17, 2007

SANGRE CAVALLUM

Há pouco tempo encontrei quase por acaso no mundo cibernético, referências de um grupo Português que se dedica ao intitulado "folk ancestral", fundamentado na recuperação de instrumentos musicais antigos e letras invocadoras de antigos cultos pré-cristãos existentes sobretudo na chamada Galécia (Norte de Portugal e Galiza).
Já partilhei tal descoberta com o irmão Hugo, o qual me facultou a tal compilação de textos de onde extraí o "Solstício" aqui anteriormente colocado e que veio reforçar a crença pessoal que ainda (sobre)vivem cultos antigos no nosso país.
Identifico-me perfeitamente com estes sons e textos, defensores das origens e da nossa herança, a qual alguns teimam em fazer perdurar.

sábado, julho 14, 2007

Drunk or Stoned?


- TMN Garage Sessions 2007 - Santiago Alquimista -

Após umas horas à seca (que me perdoem as bandas em concurso) aparecem em palco as vedetas da noite, umas senhoras e uns senhores que dão pelo nome de WrayGunn.
Um concerto num espaço reduzido, para um público reduzido. Eu prefiro assim e pelos vistos eles também a julgar pelas loucuras em palco e não só... gostei muito!
Isto começa a ser hábito mas...OBRIGADO JOANA! (espero que tenhas tomado os comprimidos todos a horas)
P.S. - deixaste um fio de baba nos estofos do nosso carro

quinta-feira, julho 12, 2007

Senhores da Guerra

O Octógono repleto de cavaleiros iniciáticos
Espera pacientemente pela decisão guerreira
Aguarda-se em silêncio opressivo o sinal divino
A sombra dos Carvalhos sente-se próxima
Respeitosa e austera, protectora e imponente

Pelas linhas ancestrais,
Pelos antigos votos quase esquecidos…

Rufem Tabores marciais!
Soprem o Corno Sagrado!

quarta-feira, julho 11, 2007

Solstício


"Sou o eterno Diferente, o eterno Adiado,

o Supérfluo do Abismo. Fiquei fora da Criação.

Sou o Deus dos mundos que foram antes do Mundo...

A minha presença neste universo é a de quem

não foi convidado. Trago comigo memórias

de coisas que não chegaram mas que estiveram para ser..."

domingo, julho 08, 2007

OPHIUSA LUSITANIAE

"Não herdámos as canções do Invasor,
Herdámos a nossa voz para cantar a Pátria.
Não herdámos ouro para comprar a liberdade,
Herdámos o ferro para a defender!"