quinta-feira, maio 26, 2011

Memorável...


Confirma-se o que há muito já se suspeitava...The National são uma daquelas bandas de culto que têm em Portugal um dos seus locais de adoração.
Com bases amplas no recente High Violet e no antecessor Boxer, o concerto do passado dia 24 no Campo Pequeno não esqueceu momentos únicos dos primeiros álbuns, tal como "Friend of mine" do álbum Alligator, que teve direito a aviso especial por só ter sido tocado por duas vezes ao vivo anteriormente apesar dos já sete anos de existência da musica "O que quer que façam, não saiam depois desta canção. Esta é para vocês Portugal. Cuidado com o que desejam...".
De copo na mão Matt Berringer, brinda o recinto esgotado com uma série de verdadeiros hinos, alguns modificados pela voz mais estridente que o usual do vocalista de voz forte e quente.
Após 1 hora e 45 minutos de concerto terminam a noite com uma versão totalmente sem amplificação (voz incluída) de Vanderlyle Crybaby Geeks, pedindo ao público "Ajudem-nos a cantar, sabemos que são bons a cantar, portanto cantem muito!" ...e nós cantamos...arrepiou!

A primeira parte esteve a cargo dos Dark Dark Dark, que a mim não convenceram, talvez culpa da dimensão da sala de espectáculos, que na minha opinião não era coincidente com o ambiente mais intimista das canções desta banda mais própria para um cabaret decadente e cheio de fumo.
O som do acordeão e clarinete assentava melhor numa pequena sala...

terça-feira, maio 10, 2011

Sorrow

"Sorrow found me when I was young
Sorrow waited, sorrow won..."

quinta-feira, abril 28, 2011

Mantos de Bruma...

Um amanhecer à porta de casa...

domingo, abril 17, 2011

Bairro Estrela D'Ouro

Fachada de edifício

Azulejo Comemorativo do Bairro

Pormenor do ferro forjado no varandim

Escadaria em ferro forjado

Átrio do antigo Cine-Royal

Quem não sabe, também não descobre por acaso. É um dos (pequenos) segredos desta Lisboa, capital cada vez mais cosmopolita e descaracterizada.
O Bairro Estrela D' Ouro é um pequenino enclave de vida Portuguesa na cidade grande. Um cheiro da Lisboa dos vizinhos, da aldeia transformada cidade.
Criado em 1908 para alojar os trabalhadores da sua empresa de Confeitaria por Agapito Serra Fernandes, é composto por cerca de 120 pequenas habitações, com pátios em U, onde o símbolo da Estrela está presente em vários componentes da edificação, tal como passeios, varandins, fachadas. O ferro forjado domina o exterior das habitações, todas com acesso directo para a rua, com passadiço comum ao longo da fachada, para serviço dos residentes.
Na minha recente visita pude comprovar que ainda se mantém o espírito de vizinhança próxima, entre quem lá vive, novos e velhos residentes, portugueses e emigrantes.
O próprio industrial, que também vivia no Bairro, numa vivenda de grandes dimensões com jardim (impossível de visitar) , mantendo assim uma proximidade com os seus funcionários, mandou erguer em 1929, uma sala de espectáculos, o Cine-Royal ( hoje um supermercado Pingo Doce, mas que mantém a fachada e o átrio intactos) onde foi exibido o primeiro filme sonoro em Portugal (1930).
Se quiserem procurar, fica entre a Rua da Graça e a Rua Senhora do Monte e basta seguir as estrelas na calçada...

Para uma pausa recomendo-vos uma limonada no Café do Monte - Rua S. Gens, 1. Ao estilo parisiense, bastante acolhedor e com uma musica bastante agradável.

quinta-feira, abril 07, 2011

O mundo parava...

Revê os passos dados no jardim,
os sorrisos, as tensões,
A magia fugaz de quem nada perde,
Naqueles momentos só tu contavas, só tu eras, apenas tu
...o mundo parava.
As mesas de pedra fria que fossem leito de prazer,
Os sons da cidade apagados pelo desejo...
Os calafrios da pele quente e aromática, arrepiada e húmida,
Lábios que se saciam,
Corpos em colapso numa explosão sagrada de seres profanos,
divindades um do outro...

...o mundo parava.

segunda-feira, março 21, 2011




Ouve o silêncio,
...diz-te alguma coisa?
Entre fumos e copos, abstrais-te do mundo, do burburinho fútil, das conversas banais, dos sopros de palavras vãs que nem pensadas foram, da tagarelice alheia de quem nada mais tem para falar...
Sentes-te só, no meio de tantos, apenas tu...
Chamam-te a atenção para o café que pediste entretanto já arrefecido, nem ligas...agradeces vagamente e segues a cavalgada mental interior que te mantém fora dali.

Quem és? O que queres? Desejos?
Apenas calma e tranquilidade. Conseguirás tu lá chegar?
Conseguirás viver calmo, tranquilo e seguir as vagas repetitivas da vida?
Segues só, pelas vielas escurecidas da cidade, sem ligar aos personagens que abrem alas perante a tua passagem.
Perigo? Talvez... mas nem dás por isso.
Embrenhado em ti, sôfrego de respostas que cegamente não vês, caminhas a passos distraídos para lugar nenhum...para o vazio, para o silêncio...

sábado, março 12, 2011

Sê o Mundo...

Vem ser o meu Altar,

o meu local secreto de adoração dos Deuses desconhecidos,

dos Deuses sombrios e implacáveis.

Dá-me o teu corpo e venera a Deusa Mãe,

Liberta-te do mundo...

Sê o Mundo...

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Notável "Vila" de Estremoz

Na recente visita ao Alentejo, uma das "surpresas" foi Estremoz, Cidade Alentejana desde 1926, mantém o espírito de pequena vila de tons de branco e pedra, tão característica daquela zona.
Localidade histórica, possui excelentes pormenores que, para quem aprecia fotografia, são verdadeiras pérolas da arquitectura civil e militar Portuguesa.
Exemplos disso são:
- A cadeia medieval, actualmente um restaurante - Cadeia Quinhentista, com um bom gosto de se louvar em termos decorativos, cujo pormenor aqui fica abaixo retratado (retrato 1);
- Uma ruína de arco numa das ruas antigas de Estremoz que mereceu a atenção da minha objectiva (retrato 2);
- Pormenor de portada na Rua Rainha Santa Isabel (antiga rua da Cadeia) com símbolos, no mínimo curiosos...(retrato 3)
- O único retrato que não é meu é o 4, a fachada do Café Águias de Ouro, de inícios do século XX, no Rossio de Estremoz, com um estilo arquitectónico diverso, que vai da Arte Nova ao Neo-Manuelino, onde no seu interior se destaca um brasão dourado da agora Cidade de Estremoz (retrato 5), cuja heráldica é bastante pormenorizada e rica (os curiosos que procurem o significado).

Muito mais haverá para retratar e prometo num regresso, procurar com mais tempo...

(retrato 1)

(retrato 2)

(retrato 3)

(retrato 4)

(retrato 5)

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Credos...

Há cerca de 3 anos passei mais uma vez por uma das aldeias mais emblemáticas do Portugal profundo - Piodão, uma aldeia postal, de xisto construída e felizmente bem conservada.
Ruas estreitas e escuras, o negro da pedra em contraste com o azul das janelas e portas, bem como do edifício mais destacado do núcleo, a Igreja de branco debruado a azul.
Duas das fotos que tirei na altura, foram a pormenores em casas particulares que me intrigaram, umas cruzes feitas de forma muito artesanal na ombreira da porta e noutra casa uma cruz pintada na porta, encimada por uns chifres de bode e uma ferradura...
Passado estes tempos, estava eu a colocar alguma (pouca) ordem no arquivo fotográfico pessoal e dou com elas novamente.Um pouco de pesquisa informa-me que as pequenas cruzes são uma protecção contra a trovoada e o azar. Noutros locais encontrei ainda alusões a tradições que referem a existência de lobisomens na aldeia, sendo as casas marcadas com a cruz salva
s da intromissão do mal...
Quanto à foto com os chifres de bode e a ferradura, posso apenas subjectivar que a casa pertença a alguém extremamente crente ao ponto de para além dos artefactos acima descritos, ainda ter pintado de forma grosseira uma cruz na porta azul da sua habitação...estranho?


Rua estreita com caminho para as águas - Piodão


Símbolos à entrada de casa - Piodão




Pequenas cruzes em ombreira de porta - Piodão

quarta-feira, janeiro 12, 2011



Alma mater, fiel segredo de quem sente o teu pulsar nas veias,
Guardo em mim as dores de quem te ama e por ti sofre.
Glórias vãs e sonhos adiados, gente simples que por ti morreu
Guerras de honra, outras de vergonha, por ti sangrou
Por ti engoliu o orgulho e secou as lágrimas,
como fontes que se esgotam na dor infindável
De tanto abandono consentido.

Por ti estarei, por respeito a tudo o que foste
Aguardo pacientemente que sejas novamente um dia.
Terra estranha, lendária, de mistérios milenares...
Terra sagrada, esquecida por tantos, renegada por outros
Mas sempre, sempre o meu Portu(graal)...


domingo, janeiro 09, 2011

...


Escondo-me de mim.
Embrenhado em floresta complexa
de sonhos tenebrosos,
Perco-me de mim e
arrasto-me para a profundidade vazia,
para o âmago esventrado do caos.
Para o vício delirante das voltas do mundo
O espectáculo agonizante e farto
Farto... farto... simplesmente farto...


Cansado, estropiado da estagnação,
repousa a cabeça perdida
nas mãos do desconhecido,
propriedade de ninguém,
Baldio de sentimentos,
Sofredor do acaso
Amante do nada...


Somente nada...vazio...eco...



MORTE


quarta-feira, dezembro 29, 2010



Repousa o corpo estafado de tanta dor,

descansa a alma farta de atrocidades,

deixa-me encostar no teu peito e sentir

as lágrimas abradarem a correria pelo meu rosto,

morrerem cansadas de tantos sulcos rasgar

nesta pele salgada e sofrida...

Quero uma luz.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Silêncio


Dá-me força para lutar contra o sentimento instalado que me corrói,

Dá-me ânimo e coragem para ser melhor, ser mais elevado que a podridão circundante.

Dá-me alegria, forma de ver o mundo colorido e não a penumbra em que me encontro,

Dá-me energia para ser novo - mais eu, menos plástico.

Dá-me tranquilidade, silêncio apaziguador...

Dá-me... faz-me querer respirar, faz-me querer viver...

domingo, dezembro 05, 2010

segunda-feira, novembro 22, 2010

Longas Facas do Verbo

As noites em vão, pensamentos violentadores da mente,
Dores invisíveis, feridas profundas que não se veêm,
Sente-se a aflição lancinante do controlo das coisas
Que foge entre dedos, entre palavras (mal) ditas,
Desnecessárias e abusivas, verdadeiras facas do verbo
Que rasgam sem piedade as parcas defesas que resistem.
Pontas aguçadas perfurantes da frágil couraça que levanta
Quem pouca força tem já para se resguardar...
Porquê? Para quê?...

sábado, outubro 30, 2010

Caretos de Podence

"Os caretos representam imagens diabólicas e misteriosas que todos os anos desde épocas que se perdem no tempo, saem à rua nas festividades (...) interrompendo os longos silêncios de cada Inverno, como que saindo secretos e imprevisiveis dos recantos de Podence, surgem silvando os Caretos e seus frenéticos chocalhos bem cruzados nas franjas coloridas de grossas mantas."
Celebram a despedida do Inverno e a chegada da Primavera no ritual pagão do carnaval, vem de tempos imemoriais, das festas Saturnais Romanas, acalmando a ira dos Deuses para favorecer as colheitas. A dupla máscara relembra Jano, Deus do passado, futuro e presente, deus das entradas e portões, da guerra e da paz, dono de todos os principios...
Homens, jovens e não só resguardam-se no anonimato da máscara e soltam o inferno, ainda que suave, na aldeia transmontana de Podence. Tudo é permitido durante dois dias no ano.
A tradição vive e floresce, fruto da força e teimosia de muitos...
Após meses de espera, consegui este exemplar de máscara dos Caretos de Podence. Sempre tive um fascinio por máscaras tradicionais e é um objectivo de vida recolher sempre que possível máscaras que façam parte da nossa etnografia, das nossas origens como povo.
A próxima, assim me permita o orçamento familiar, será a dos Caretos de Lazarim...
Um obrigado especial a quem ma ofereceu, mesmo com atraso de meses :)

quinta-feira, outubro 14, 2010

Regenera-me...



O mato verdejante das últimas chuvas

Contrasta com o negrume dos céus outonais

Gosto de constrastes, aprecio os caprichos naturais

Identifico-me com eles, com os jogos sedutores

Da beleza simples e de certa forma complexa que me rodeia

Sinto o ar fresco da noite que se inicia

O frio que regenera e obriga a viver.



Ao longe a voz grossa das correntes marítimas

O sopro do vento na areia das dunas desertas

Sinto-me vivo...

Sinto-me...

segunda-feira, outubro 04, 2010

Quando for grande quero ter...




Sonhar não paga imposto...ainda.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Livro de Cabeceira XIV


Mais um autor nacional, mais uma agradável surpresa. Tiago Rebelo, jornalista da TVI retrata nestas páginas, o sonho de um jovem dos bairros desfavorecidos dos suburbios de Lisboa, que tudo faz para cumprir o seu objectivo de sempre: Ter poder e liderar o País! Não importa como nem com que meios...
Um policial de contornos políticos, actual, que toca no submundo da extrema direita e levanta a crosta da ferida...A democracia não é inviolável nem sagrada!
Um livro de fácil leitura, interessante q.b. e fiel aos cenários lisboetas onde se movimentam os personagens.
Aconselho.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Férias cerebrais


Por regra, as férias que gozo tento que sejam culturalmente enriquecedoras: visitar uma cidade, conhecer tradições, paisagens protegidas, enfim... dar alguma utilidade ao tempo para além do propósito básico das ditas vacanças - DESCANSAR.
Desta vez foi mesmo uma semana para dar uma pausa ao cerebro (ou quase). Praia e piscina, piscina e praia. Um convite ao fio de baba e à arte bem fazer nada...Ócio completo.
Confesso que também soube bem. Fica o enriquecimento cultural para outra altura. Mais dias virão...

sexta-feira, setembro 03, 2010

Venha a calma sepulcral, a pena capital, o silêncio que se impõe...
Venha o fluído anestésico que me sossega, o repouso que acalma a dor,
Venha o que vier, seja o que for...

Serei uma amálgama de identidades, um motim emocional,
Serei Alfa e Omega de mim mesmo...

sábado, agosto 07, 2010

Sinto-me esgotado...quase vazio de tudo.

segunda-feira, julho 26, 2010

Eu mesmo...


Segundo o muito fiável e fidedigno sítio I Write Like: http://iwl.me/ , a minha escrita assemelha-se à de Stephen King...
I wish!

quarta-feira, julho 07, 2010

Quando o grito de alerta
De nada nos vale
Silencie-se então a fonte...

terça-feira, julho 06, 2010

Agora é o tempo...

Agora é o tempo...
Agora preciso de ti.
Não depois,
Não amanhã,
Não noutro dia...Hoje!

Hoje quero sentir,
Não posso iludir mais,
Acreditar no sonho e no mito
Sem poder sentir algo de alcançável,
Algo visível, palpável...
Algo que me possa agarrar
Nos momentos mais negros do meu ser.

Nunca fui crente,
Nunca consegui ter grande fé
No que não vejo ou sinto.
Mas creio em ti!
Creio em mim.
Ajuda-me a crer em nós...

quinta-feira, junho 24, 2010

Mors Principium Est

Respiro do oxigénio rarefeito
Reciclado, saturado, artificial
Um lixo gasoso que me prende
À sobrevivência do corpo.

A alma, o verdadeiro ser
Essa já voou, já soltou amarras
E segue livre finalmente.

Livre como sempre desejou ser
Nunca corajosa para se ousar
Livre de forma assustadora
Quase vertiginosa
Sentimento virgem,
Atemorizante e ébrio.

Descarrega-se o Medo,
Vence-se o Medo,
Morre o Medo
...e sim...
Sou Livre!

O corpo..?...esse fica.
Despojo imóvel como sempre,
Desnecessário e usado...

sábado, junho 19, 2010

Livro de Cabeceira XIII


Como já devem ter percebido, tornei-me um acérrimo adepto e consumidor deste autor Português. Lisboa Triunfante versa mais uma vez a mitologia lusa, em especial a criação de Lisboa e a luta cosmológica entre duas figuras miticas que estão na origem da capital Portuguesa. Duas figuras dispares que se complementam que se envolvem numa disputa milenar, dando o equilibrio necessário ao nascimento da Lisboa moderna, que afinal tanto possui ainda de mitos e lendas carregadas de sentidos ocultos. Desde a pré-história aos dias de hoje, acompanhamos pelos olhos de personagens históricas, como Frei Gil de Santarém, o santo que fez um pacto com o demónio, D. João V, o Rei Sol Português, crente no V Império e o escritor Aquilino Ribeiro, estes contactos "casuais" com a Raposa e o Lagarto, icones e/ou totens sacro-profanos desta terra que hoje ocupamos. Confundidos com o relato? Leiam e façam a vossa própria interpretação...

segunda-feira, junho 14, 2010

O ultimo cigarro

Fumou o último cigarro do maço
Já desbotado, que vivia dentro do bolso
Enquanto ponderava nesse cérebro confundido
de cansaço e demência, o que fazer...?

Talvez o cigarro lhe desse a resposta.
Admirou o laranja vivo que o consumia e fazia morrer.
Seria mera morte ou apenas transformação?
Afinal a morte do cigarro dava lugar
Ao nascer do fumo pardo
Intoxicante e viciador...

Pensou no que tem e sobretudo, no que perdera
Ao longo do caminho demasiado longo,
Satisfez-se ao reparar que as perdas
Já não magoavam assim tanto,
Já não asfixiavam como antes,
Não passavam agora de pedras pequenas
Na paisagem deserta da vida.

No fim de contas era a única coisa
que quebrava a monotonia do horizonte da memória...

sábado, junho 12, 2010

Viagens

Alguém escreveu à uns tempos:
"Sabemos sempre onde começa uma viagem, mas nunca sabemos até onde esta nos pode levar..."

quarta-feira, junho 09, 2010

Pego do Inferno



Esta é uma das descobertas dos curtos dias de férias que passei no sudeste algarvio.
Fica no interior do municipio de Tavira, mas é relativamente fácil de dar com o sítio.
O Pego do Inferno é uma (muito) agradável surpresa, um acidente geológico muito raro na paisagem algarvia, senão único mesmo. A cascata em si não é muito alta, cerca de 3 metros de altura, mas a envolvente da lagoa associada à cor das águas...é de visitar e aproveitar.

domingo, maio 23, 2010

Vagas...

Embarco sozinho neste corpo,
Um corpo cheio de nada e tanta coisa,
Bens preciosos ou restos de zero,
Corpo que vagueia, farol solitário.
Embarco nesta vida,
Vida de sofrer, de amar e morrer,
Flutuo no vazio, no vácuo,
Incendeio-me como fogo-fátuo
Morte atroz ou solução?
Sofrimento ou ilusão?
Deixa-me aqui
Neste corpo onde embarquei,
E sem leme, vagueei à deriva,
Do sentir e de criar,
Do sorrir e de chorar,
Sem nunca (me) encontrar,
Nem afundar,
Sobrevivo, flutuo...
Ao sabor das vagas do mundo.

quinta-feira, maio 13, 2010

Livro de Cabeceira XII

Mais um livro de David Soares, mais uma excelente peça literária que combina história e ficção.
Evangelho do Enforcado conta-nos a história de Nuno Gonçalves, nascido pobre mas com o dom sobrenatural para a pintura, vive entre a vontade de vencer na vida e os seus monstros internos que o "obrigam" a matar para se satisfazer.
Nuno Gonçalves é o suposto autor de uma das obras de arte mais enigmáticas existentes em Portugal - os chamados Painéis de S. Vicente, expostos no Museu Nacional de Arte Antiga - cuja encomenda pelo Regente D. Pedro, visa enaltecer o martírio do seu irmão D. Fernando, aprisionado e posteriormente morto na cruzada falhada contra Tânger. Só que a visão peculiar de Nuno Gonçalves deturpa toda a intenção do Regente e cria uma obra polémica e brilhante ao mesmo tempo.
O livro retrata de forma pungente a sede de poder e as intrigas palacianas numa Lisboa medieval, bem como faz uma viagem esclarecida ao mundo da pintura e da psicopatologia que atormenta o personagem principal, fazendo mais uma vez a ponte entre realidade e ficção, entre profano e sagrado, mostrando ao comum mortal a riqueza simbólica e esotérica do nosso Portugal.
Aconselho vivamente...

segunda-feira, maio 10, 2010

Solidão...

Solitário, sempre solitário...
Profundo, dormente.
Respiro e sinto o mal,
A magia, a dor final.
O vício que tende a vencer,
A dor que teima em ficar.

De que vale sentir,
Quando não sentimos o que queremos?

terça-feira, abril 27, 2010

Mors osculi



"E silente, à nossa frente, estava velado o negro portal, que todos os mortais atravessam: estrelas silenciosas pairavam sobre nós e mudos eram os túmulos enterrados no solo." In O Evangelho do Enforcado de David Soares

domingo, abril 18, 2010

Livro de Cabeceira XI


Mais um livro que versa temas que me são queridos - Sintra, Fernando Pessoa e Mística. Desta vez escrito por uma Catalã - Passageiros da Neblina - interpreta a misteriosa visita de Crowley a Pessoa, dando-lhe formato de policial com laivos de fantástico.
Com saltos temporais, a maioria da história desenvolve-se em volta da investigação criminal de homicidios acontecidos na pacata Vila de Sintra, em meados do séc. XIX, com muito que rodeia estes crimes a não poder ser explicado senão à luz do esoterismo e da magia.
Um livro com grande potencial, tanto pelos personagens como pelo palco onde se desenrola, mas que acaba por desiludir pela simplicidade e banalidade com que se desenvolve. Fica uma tentativa, para mim falhada, de abordar temas tão misteriosos e interessantes quanto estes.

quinta-feira, abril 15, 2010

Mors omnia solvit


Bebe da morte e tenta sobreviver
Alimenta-te da dor e torna-te insensível
Segura os grãos de esperança vã que
Escorrem entre os dedos cansados
Sorve as résteas de sonhos
Que ainda te fazem seguir o caminho

Até quando..? Até onde..?

quarta-feira, abril 07, 2010

Pormenores de Praga

Dois Sóis

Leão Vermelho


Serpente de Ouro

A Chave Dourada


Cordeiro Vermelho

Medusa

Três Violinos

Em Praga gostei sobretudo de certos pormenores...
É uma Cidade de uma beleza arquitectónica unânime, um centro histórico bem tratado mas que me desiludiu pelo excesso de turismo de massas, o turismo dos putos, do alcool e da loucura. As lojas pecam por aí, por venderem bugigangas iguais a tanto outro ponto do planeta e com o intuíto do dinheiro fácil. Comparativamente, achei Budapeste muito mais genuína, mais o Leste que eu estava à espera. Enfim...prefiro deixar o que de bom vi, o que pude apreciar. Este é um dos posts que pretendo fazer sobre essa viagem recente.
Havia em Praga, uma tradição trazida pela Imperatriz Maria Teresa de Austria, de substituir os banais números das portas das casas por símbolos alegóricos, organização tradicional dos Habsburg. Na maioria da Cidade já desapareceram quase por completo, mas na Rua Nerudova ainda se podem apreciar muitas destas peças de arte. Muitos deles de simbologia alquímica, o seu significado perdeu-se entretanto na noite dos tempos. Fica o registo fotográfico desta pequena preciosidade...

quarta-feira, março 10, 2010



O tecto escuro que me acolhe, enegrecido pela sujidade e pelo tempo
Já não me parece ser o mesmo do início das horas...
Aquelas horas mortas em que olhava para nada e pensava tudo.


Naquelas horas onde tudo pode ser e nada é,
Deitado, olhos no tecto sujo e sombrio,
Passam por mim mundos passados e sonhados,
Num delírio fugaz que me deixa calmo e apaziguado
Sonharei eu os mesmos sonhos que tu...?

sexta-feira, março 05, 2010

Silêncio Involuntário



Serve o presente para informar que ainda não foi desta que o blog em causa faleceu...

A falta de escritos deve-se única e exclusivamente à falta de tempo que o autor tem padecido ultimamente.


Enfim, um gajo tem de trabalhar... e muito.


Até breve, espero eu.