terça-feira, junho 03, 2008

Cores da (minha) Terra II





Fotos apanhadas num Lugar muito próximo de casa - Paço d'Ilhas - um pequeno tesouro ainda pouco conhecido.

domingo, maio 11, 2008

Tempus fugit

Caminhamos a passo largo para o definhar do ser
Fraco sufoco que esmaga a pele sem se fazer notar
Tempo contado que não perdoa
Longas esperas, sábias feras…

sexta-feira, abril 25, 2008

Maldoror


Dia 23, Culturgest, 21h20 – Maldoror entra em Cena. Figuras saídas de um sonho/pesadelo invadem o palco silencioso. Uma coluna branca, despida, abriga no alto a bateria, enquanto são projectadas imagens dementes nas suas faces. Luxúria Canibal enche a boca do palco com um charuto na boca. Atrás dele os restantes elementos dos Mão Morta concretizam a banda sonora de uma sequência de textos, velhos de 150 anos, espantosamente ainda nauseantes e provocatórios.
A sala estava lotada e em silêncio enquanto o Poeta Isidore Ducasse, aliás Conde de Lautréamont toma conta da voz e do corpo de Adolfo colocando-o no papel de Maldoror, o narrador/personagem dos Cantos com o mesmo nome.
Se alguém esperava um simples concerto dos Mão Morta talvez tenha saído desiludido, se tal for possível. Este espectáculo é acima de tudo um momento de poesia e imagem, de palavras e delírios visuais…se tal não fosse de onde viriam excertos como “estou sujo/roído de piolhos/os porcos, quando olham para mim, vomitam” ou “de repente, no momento em que ela menos espera, enterrar-lhe as unhas compridas no peito mole, de modo a que não morra”?.
Os Mão Morta mais uma vez demonstraram a sua originalidade e o avançado mundo onde se movem. Nem sempre compreendidos, mas sempre com um espaço que lhes está reservado nesse submundo que me rodeia e a tantas outras almas como eu.

quinta-feira, abril 24, 2008

Into my arms

Nick Cave é daqueles autores que há anos me marcam pela sua forma de escrever, umas vezes crua e dura, outras mais sonhadora, e permitam-me, até romântica, mas sempre sombria e decadente.
Este senhor raramente nos brinda com a sua presença em palcos Portugueses e desta vez surgiu a oportunidade de o ver e ouvir ao vivo no Coliseu de Lisboa no passado dia 21.
Uma sala lotada impacientemente esperava o artista, não sem antes levar com uma primeira parte de aborrecimento com uns conterrâneos de nome Dave Graney & The Lurid Yellow Mist (para esquecer).
Por volta das 22h10, inicia-se o culto com o Reverendo Cave a liderar as suas “Sementes do Mal” que depois de alguns anos de interregno voltam a acompanhar, e bem, o Pastor Australiano. Com um concerto muito baseado em músicas do novo “Dig, Lazarus, Dig” deixando a maior parte da plateia um pouco perdida, não perdeu a hipótese de a encantar com clássicos como “into my arms” ou “Stagger Lee” e ainda temas roubados a Johnny Cash, caso de “Wanted Man” ou a Jarvis Cocker com o tema “Nobodys Baby Now”.
Soube sem duvida com o seu ritmo estranho e delirante, cativar um público já sedento de lhe prestar a devida homenagem, pela sua simpatia e sobretudo pela versão Discos Pedidos durante os dois encores , onde questionou o publico incessantemente sobre os temas que queria ouvir…(sinceramente em tanto concerto, nunca tinha assistido a tal coisa).
Foram 24 músicas e cerca de 2 horas e meia de Celebração divina para conversão dos infiéis ainda existentes
Declaro-me aqui completamente convertido a essa estranha religião do Reverendo Cave…Até à próxima!

sábado, abril 19, 2008

A janela


Da janela há muito esquecida
Vejo o passado, o caminho para trás
Vejo brincadeiras de infância, tristezas e alegrias
Pequenos nadas que torturam e definem a mente
Do adulto que olha pela janela…
a que estava já esquecida

Os despojos do que ficou adiado,
A dor do que se perdeu
A janela ali está, queda, muda,
Alheada de tudo
Como se nada passasse através dela
Como se não visse o que vê

Estática, inestética
Ela mostra o que não quero ver
O que escondi à força debaixo da poeira dos anos
As rosas já mortas, essas parecem agora de papel
Meros esboços do que foram um dia

Tal como eu…

terça-feira, abril 15, 2008

Mar de silêncio

...em ondas de vento acordas
em ondas de vento adormeces…

domingo, abril 06, 2008

Outras gentes, outras cores

Banca de mercado

Toranja

Paprika???

Paraíso de gulosos

Fácil de entender (?)

sábado, abril 05, 2008

Encanto Magiar

Budapeste, a cidade de tantos impérios, a terra de eterno sofrimento e ocupação.
Estes rasgos na pele de um povo notam-se, quer na atitude, quer no orgulho de levantar do chão uma e outra vez uma cidade mártir.
Respira-se imponência e decadência, tudo num mesmo local. As fachadas magnânimas onde ainda se vêem os buracos das munições, as placas memoriais de vidas perdidas a cada esquina, tudo isso se respira em Budapeste.
Os cafés ainda têm o encanto de outros tempos, há o culto do estar, do ir ao café como parte de um estatuto social.
Foi sem duvida uma viagem de descoberta, de contacto com outra realidade. Apesar de europeia, Budapeste não nega as suas outras vidas, a otomana, patente no gosto pelos banhos públicos e na gastronomia, a faceta mais imperial herdada do tempo Austro-húngaro, a austeridade de certos quarteirões fortemente soviéticos.
O maior obstáculo foi sem duvida a língua, apesar da boa vontade e da simpatia das pessoas, quase ninguém fala inglês nas ruas de Budapeste, mas o calor e a vontade de ajudar estão lá.
Ficam aqui algumas fotos do que foram estes dias…
Parlamento visto da Ponte das Correntes

Praça ao entardecer com o Palácio Real em fundo

"Cá vou eu no meu traby..."

Praça dos Herois

"Anonymus" em Varosliget

Pormenor nas ruas...

Cobertura da Opera


Outros tempos...

sábado, março 22, 2008

Elogio Fúnebre


Desces lentamente à Terra
Desces sem volta a dar
Olhos fechados
Corpo frio de silêncio
Quarto escuro de recolhimento
sonho do qual não irás acordar

Nada mais receberás
Nem um beijo, nem uma carícia
Nem uma lágrima verterá
Já nada és...
Fica a lembrança dos outros
Boa ou má, tanto te dá

Já ninguém sabe de ti
Passaram os tempos
Nada contas
Apenas mais uma pedra
Num jardim de tantas outras

Desces já à terra
E há flores em tua volta
Desces à terra
Não fazes falta...

sexta-feira, março 21, 2008

Do Livro Primeiro...

"A flor que és, não a que dás, eu quero..."

Ricardo Reis

sexta-feira, março 14, 2008

O que é, novamente será...
O que foi um dia, voltará a ser...
Seremos hoje e amanhã de novo...
Eterno ciclo de Mutação e Retorno

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Cheias 2008




Após meses de seca, no passado dia 18, choveu durante uma hora mais do que é suposto chover durante o mês de Fevereiro.
O resultado foi este. Por aqui não ocorreram acidentes pessoais e houve poucos danos materiais. Quando assim é, fica a beleza selvagem da natureza a ensinar mais uma lição ao Homem: Não se controlam nem alteram as suas vontades...
O leito normal do rio é facilmente identificável pelas árvores que ladeiam o seu curso.
As imagens são do vale do rio Lizandro, junto à Igreja da Senhora do Ó do Rio do Porto (à esquerda na 3.ª foto, semi-submersa, bem como o cemitério), Carvoeira, a cerca de 500 metros de casa, felizmente num local mais alto.
Para a posteridade...

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Livro de Cabeceira II

Regressando a esse capítulo deste blog, onde prometi (?) em tempos ir deixando alguma informação sobre os livros que vou lendo, sempre que posso ou me apetece.
Desta vez o livro em questão é uma publicação pelos vistos rara, de 1984, que dá pelo nome "Da Sepente à Imaculada".
Pode parecer um título estranho para muitas pessoas, mas para quem me conhece e sabe dos meus interesses, não será decerto.Trata, em traços altos, da mitologia arcaica deste rectângulo onde vivemos e das várias formas de culto ao feminino então existentes, alguns resistentes até hoje, muitas vezes de forma camuflada sob o disfarce de ícones católicos.
Como já referi em textos anteriores, toda a área que hoje é Portugal foi diversas vezes apelidada em vários livros clássicos de Ophiusa que em grego quer dizer "terra das serpentes", não pela quantidade de reptéis existentes, mas pelo culto da serpente - simbolo da fecundidade e de renovação espiritual.
Tenho noção que não é um tema fácil de apreciar ou até de entender, mas faz parte de mim e dos meus "estranhos prazeres", o gosto pelo mítico e pelo ancestral...

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Cesariny


"...O que importa é não ter medo,

Fechar os olhos

Frente ao precipício

E cair verticalmente no vício..."
Mário Cesariny

sábado, janeiro 26, 2008

Partes de mim...

Uma morte recente fez-me regressar e pensar no passado, o passado familiar, as raízes e origens que tantas vezes traçam o meu caminho e tantas outras esqueço de escrever, como sabiamente me alertaram…”para que a história não se apague..”
As memórias velhas de anos já longínquos para mim de férias na aldeia dos bisavôs maternos, da casa do fogo sempre aceso, verão ou Inverno, pois era o fogão dos simples, das noites à volta dele enrolados em estranhas histórias sobre a casa e sobre a quinta centenária onde trabalharam décadas, das capacidades indesejadas do bisavô, amaldiçoando passá-las para as filhas, das visões e experiências sussurradas em surdina pelos mais novos, sob o olhar de reprovação e tristeza do velhote, já cansado mas com o olhar vivo dos sábios homens da terra…
Recordo-me perfeitamente de uma noite em que tinha caído um temporal de verão e instalou-se um calor sufocante e húmido, olhar do quintal já escuro da casa para o cemitério da aldeia, ao longe e ver dezenas de pequenas luzes a brilhar por cima dos túmulos. A explicação científica que eram fogos-fátuos logicamente não entrou na cabeça de uma criança curiosa mas rodeada de histórias e factos estranhos para quem vinha da "cidade".
Recordo agora com carinho e saudade esses dias e essas noites de palavras e expressões estranhas que tanto puxavam pela minha imaginação.
Ao voltar aquela casa, agora vazia, aquele quintal abandonado, onde os frutos ainda teimam em nascer, confesso que as lágrimas escorreram, como se tivesse reencontrado uma parte de mim que sabia perdida mesmo sem dar conta…obrigado...

sábado, janeiro 19, 2008

Repouso eterno...

Às vezes, nas memórias difusas de tempos distantes, ainda recordo a floresta, os sons encantados dos dias, as fontes que correm atrás das pedras milenares, o bramir do rei veado cortejando a sua rainha, a brisa fresca que afaga o carvalho, suave e acariciadora de sonhos eróticos.
Sinto ainda nas veias, as noites gélidas e escuras, envoltas no medo animal que nos tolda a razão, que nos faz voltar à força primordial da besta, carnal, bruta e tão isenta de pecado.
As noites à fogueira, entoando litânias de desejos e ardores, tantas vezes silenciados, o extâse libertador da hipnose invocada.
Os senhores do sol e da lua numa interminável orgia de cumplicidade e poder, olham por ti ao longe, por trás do arvoredo sacro do Promontorium Ophiusae, terra de Serpes, recanto místico onde repouso e espero...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Orgasmo de sabores

Como diriam os Monty Python, ”and now for something completely different…”

Chegou-nos hoje uma encomenda de chocolates quentes do Reino Unido. Importámos, porque infelizmente não sei de local nenhum onde se possam adquirir em Portugal, pelo menos nos locais que conheço.
Quando estivemos em Londres comprámos uns chás da marca Whittard of Chelsea confesso apenas por gostarmos das embalagens. Anos depois abriu na Ericeira um salão de chá onde vendiam os chocolates quentes da mesma marca e garanto-vos que foi paixão à primeira vista, ou melhor ao primeiro sabor…Mas infelizmente o salão mudou de mãos e a qualidade bem como os produtos desapareceram. Após muita procura e alguma ressaca (shame on me) decidiu-se pedir directamente à casa–mãe três sabores para experiência: Chocolate e Menta; Chocolate com Coco and last but not least Chocolate e Chilli AztecaO meu Chocolate!
Paladar forte, corpo espesso, sabor ligeiramente amargo e com uma sensação posterior bastante intensa de picante na garganta…sensação de satisfação completa, garanto-vos.
Lojas Gourmet de Portugal, por favor peço-vos que adquiram estes produtos…prometo ser um cliente fiel…por favor...

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Lusitana Pátria Amada

(Palácio - Hotel do Buçaco)

Hordas de guerras há muito perdidas
Ecoam ainda nas penhas de além Tagus,
Povos que teimam em sacrificar vidas
Em memórias remotas de Reinos e Magos

Duras as vozes que gritam orgulho
Ancestrais devoções de ódio e dor
Escutemos ao longe o revoltante murmúrio
Por quem se canta tão Luso amor

Chorai então Homens antigos
Grita alto Pátria alada
Rasga os grilhões teus inimigos
Cantai o hino de vitória conquistada

domingo, janeiro 06, 2008

Cidade Morta

Nos dias rasgados a ferros, forçados a sair do vazio tenebroso
Alimentam-se os velhos esquecidos na imensidão dos tempos,
Entre escombros da cidade moribunda, fétida de corpos abandonados
Deixados à sorte, para a sorte dos necrófagos, os velhos…
Existirá alguma réstia de vida, algum pedaço de esperança?
Cidade morta de amores, isolada de sentimentos
Cimento tumular, concreto silenciador do mundo real
Há muito que se deixou de contar o tempo…para quê?
Um dia acaba, ninguém sentirá falta,
nem os velhos…

terça-feira, janeiro 01, 2008

No rasto das origens

Anta da Fonte Coberta - Chã.
Uma das mais bem conservadas que vi até hoje, monumento funerário .
Pedra ornamental peculiar, nos Jardins do Palácio de Mateus,
mas que claramente não é da mesma época do Palácio (Séc. XVIII).
Em Carlão, onde existiu um Castro, fortificação pré-histórica,
reparem na face da pedra mais alta...não vos parece um rosto antropomórfico?

Topo de Megalito em Carlão, onde são visiveis vários círculos e semi-círculos entalhados
na rocha, eventuais provas de local de culto pré-cristão.


Túmulo duplo perto de Garganta, pequena aldeia perdida entre penedos.
O curioso deste local, é ter existido em tempos uma ermida dedicada a N.ª Sr.ª de Ermes,
adaptação quase certa de Hermes, Deus Grego relacionado com signo de Gémeos...túmulos duplos? - Gémeos?

Uma das pancadas a que dei asas nas terras por Detrás dos Montes foi a busca e a recolha de imagens de monumentos pré-cristãos, numa zona que se mostrou generosa a esse nível...
Verdade que é preciso fazer quilómetros, por vezes por estradas de má qualidade e perguntar aos habitantes locais onde é “isto ou aquilo”, que recebi algumas respostas como “Não conheço..”; “Não sei...”.
Apesar de tudo ainda foi possível recolher algumas fotos de megalitos e sepulcros, bem como de uma anta em excelente estado de conservação.
Ficam aqui algumas fotos dos locais que falo com breves descrições da pouca informação existente sobre eles...

Um especial agradecimento aos meus cunhados Ana e André, pela paciência e pela máquina fotográfica, pois este que vos escreve é tão distraído que andou 2 dias a pensar que tinha esquecido a própria máquina em casa...Obrigado

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Mãe Ancestral

Aldeia de Perafita - Alijó

(junto ao cemitério)

terça-feira, dezembro 18, 2007

Livro de Cabeceira

Ando meio arredado das leituras, porque simplesmente não ando com grande vontade. Apesar disso e de me dispersar por 2 ou 3 livros, o Historiador é o que tenho lido mais continuamente.
Aborda com bastante interesse o tema de Vlad Tepes (Dracul), a demanda de um pai e uma filha pela sepultura do Rei da Valáquia e a suposta maldição que o acompanha.
Escrito de forma segura e pouco fantasiosa para o habitual neste tema, o que lhe confere mais credibilidade, apesar de não deixar de ser um romance.
Vou tentar, escrevo tentar porque sou distraído, ir informando quais os livros que leio e por arrasto, os que gosto e os que nem por isso...
Acreditem que não é uma tentativa, nem sequer frustrada, de abrir um "suplemento" literário neste blog.
P.S. - A editora é a Cavalo de Tróia e não tem esta imagem na capa.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Utopia



Imaginei a utopia
Sonhei o impossível
E sofri com o desplante...

Sonhas com o controlo do sentir?
Quando o primário existe...e ele existe...
Podes até adormecê-lo,
mas nunca conseguirás castrá-lo...

Apenas tentar sobreviver à dor e nada mais...
nada mais!


sábado, dezembro 08, 2007

Ars Moriendi

Fala-me das horas passadas, dos medos volvidos
Diz-me como são as forças ocultas e como se movem
Entre corpos convulsos, vacilantes de sensações
De aparências opostas mas sempre conspirativas

Fala-me dos dias que hão-de vir e das glórias anunciadas
Das palavras mudas que se trocam sem som ou tinta
Das orações que preenchem os vazios lunares
Símbolo alquímico -Ars Moriendi – dor suprema,
Devoções de renascimento prometido

domingo, dezembro 02, 2007

Lembranças do nada

Espera-me a meio do caminho,
Não corras mais que meu corpo permite
Farei o que preciso for para alcançar
Toda a plenitude do ser,
Todos os cambiantes,
Da vida que se revela perante os olhos
Curiosos mas tementes…

Em dias mais difíceis
Abrigar-me-ei em sonhos
Em lembranças do que não foi
De um viver que nunca vivi
Até que a alma primordial me alente
Para uma nova caminhada…quem sabe,
A final…

sexta-feira, novembro 30, 2007

A guarda dos tempos

Pálida e bela... ela permanece coroada com folhas, aquela que reúne todas as coisas mortais, com mãos frias e imortais. Os seus lábios lânguidos são mais doces do que o amor de quem a teme. Ela habita-nos a todos desde tempos e terras muito antigos.
Guarda-me no teu vaso sagrado, aquele que esconde os segredos do mundo e deixa-me repousar o corpo profano enquanto espero pelo passar das eras...

quarta-feira, novembro 28, 2007


...Poetas da Dor e do Prazer...

sábado, novembro 17, 2007

Caminhada de mistérios


..Procura, entre a névoa, a alma por assumir
Procura na penumbra o princípio do ser
Alimenta-te do etéreo mundo em que deambulamos
E renova as energias místicas que permitem
A subida ao divino altar dos Deuses perdidos
E de mistérios esquecidos…

quinta-feira, novembro 08, 2007

Exorcismos

Entras numa igreja…
Sentes o ar frio ligeiramente incensado
A mistura da vela queimada com o defumador
Sentas-te num dos últimos bancos corridos
Fechas os olhos e respiras fundo…
Absorve o silêncio apenas violentado pela
Ladainha de duas ou três devotas em fim de vida
Deixa-se morrer para o mundo exterior e queda-se
Numa hipnose letárgica e mística…

Quem dera ter o poder do exorcismo,
Praticá-lo no interior, para fugir a medos
Fantasmas que teimam em aparecer,
Ano após ano, vida após vida
Sempre sem cessar a maldição
tal sorte ou tal azar…

terça-feira, novembro 06, 2007

Labirintos de sonhos

"Na sua face escura o labirinto é, pois, infernal, confuso, desintegrador,
caótico e sem número (...). Mas na sua face luminosa (que é a mesma, mas iluminada),
o labirinto aparece como um transformador, que revela ao iniciado a figura escondida do mundo, a matriz divina dos números, os ângulos – ou anjos – da sua geometria sagrada."

Lima de Freitas, em «Das geometrias labirínticas»

"Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada."
em «Eros e Psique», de Fernando Pessoa

Dizem os entendidos que ambos os textos foram escritos tendo em mente os Jardins da Pena em Sintra...e eu que os conheço, acredito...

sexta-feira, novembro 02, 2007

Pão por (qualquer) Deus

Ontem, dia 1 acordei em sobressalto com o ladrar dos cães...
Resolvi levantar-me e ver qual a razão de tanto sobressalto canino de madrugada (eram 08h30).
Apercebi-me que uma tradição há muito perdida nas cidades ainda vive nesta aldeia.
O Pão por Deus - assim se chama às hordas de crianças de saco do pão de pano ou outro qualquer que vão de casa em casa tocar às campainhas e pedir o "pão" que neste caso é trocado de boa vontade por toda a espécie de doces e guloseimas imagináveis.
Confesso que não sou donatário destes dias (que vergonha, eu sei), mas acho piada que esta versão mais antiga de um "trick or treat" lusitano e matinal se mantenha.
A origem segundo alguns é dos tempos do trabalho das colheitas não remunerado em que os senhores das terras pretendiam com esta acção pagar os favores aos trabalhadores no inicio do Inverno, proporcionando-lhes um dia de algum conforto e fartura alimentar.
Simboliza também a solidariedade social, a luta pela subsistência existente e a partilha.
Em pequeno cheguei várias vezes a sair com grupos de amigos da escola primária em demanda dos desejados doces pelas ruas de Mafra e cada vez que os vejo sinto uma nostalgia que merece ser divulgada...
Por fim, sou por natureza e por convicção um defensor das tradições Portuguesas que tem mais valor do que a invasão americanizada do Halloween das bruxinhas e das partidas. Perdoem-me os seguidores dessa moda...cada um gosta do que gosta.